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Partindo para uma nova procura…

Encontrámos um terreno privado, com cerca de 2 hectares, que estava situado num planalto. Não tinha eletricidade, água, nem caminho de acesso.  Inicialmente pediram 4000 mil usd e  ficámos muito contentes com este preço, apesar do grande investimento que necessitaríamos de fazer para trazer todas estas utilidades no terreno.

Depois do primeiro encontro, o dono do terreno disse-me que precisava juntar toda a família para pedir o consentimento de todos os seus filhos para a venda do mesmo. Passada uma semana, ligou-me para me dizer que os filhos não concordavam com aquele preço e que queriam 25 mil usd. Depois de muitas negociações chegámos aos 15 mil usd e combinámos ir juntos ao Departamento de Terras e Propriedades de Gleno para verificarmos se os documentos do terreno estavam em ordem e se de facto ele era o dono, efetivo, do mesmo.

Depois de confirmar a autenticidade dos documentos do terreno combinámos avançar para a compra do mesmo e passados dois dias o dono do terreno ligou-me para me informar que o filho mais velho, que estava a trabalhar na Inglaterra, não concordava mais com o montante acordado e queriam 45 mil usd.

Tristes e amargurados compreendemos que ainda não tinhamos chegado a resolver o problema do nosso terreno e partimos, novamente, para uma nova procura…

Depois de muita procura chegámos à conclusão que muitos timorenses não queriam vender os seus terrenos por terem um valor sentimental, por serem herança da familía. Contudo, encontrámos um outro terreno no mesmo distrito de Gleno, com cerca de 3,5 hectares que inicialmente nos pediram 400 mil usd e depois das devidas negociações chegámos aos 40 mil usd!!!

Novamente, fui informado pelo dono do terreno que deveria esperar a sua resposta final, depois de reunir toda a sua família para receber o consentimento geral. Passados alguns dias , ligou para me informar que concordaram e combinámos ir juntos no Departamento das Terras e Propriedades de Gleno para se fazer as devidas verificações e depois de constatar que estava tudo em ordem, prosseguimos para juntar os documentos necessários e marcar um encontro com o notário para fixar uma data para o contrato de compra e venda.

No dia seguinte, o dono do terreno ligou-me para dizer que afinal a família não concordava mais com o preço combinado e queriam voltar a pedir 400 mil usd.

Mais um desânimo e uma frustração para a nossa coleção! Agora ao escrever esta história passada até me deu graça, pois sorri pela rima que saiu, mas na altura não achei piada alguma, muito pelo contrário…

Passaram-se meses e meses, contudo a ideia de comprar um terreno persistia na nossa mente…

Eu saía de casa de manhã cedo e chegava ao final do dia, contudo era presenteado com fabulosos pôr dos sóis.

Depois de muita procura, finalmente conheci um senhor que me disse que tinha um terreno com 2,5 hectares situado perto de Gleno, numa área propícia para o nosso projeto. Fomos vê-lo e realmente estava situado numa zona ideal. Depois de várias negociações chegámos ao valor final de 16 mil usd. Novamente, fomos ao Departamento das Terras e Propriedades para as verificações de rigor e após receber a confirmação que aquele senhor era o dono do terreno e que os documentos estavam em ordem prosseguimos para pagar a deslocação de uma equipa de cadastro, no terreno, para fazer as medições finais e fixar os limites com os vizinhos à volta do mesmo.

Depois deste trabalho efetuado pela equipa de cadastro, fomos ao notário para se verificarem os documentos do terreno e combinámos uma data para a realização do contrato de compra e venda.

Entretanto, dois dias depois propus à minha esposa, Célia, para irmos ver melhor o terreno e quando chegámos ao local vimos um senhor, que tinha uma cara duvidosa e um olhar inquisidor, que guardava umas vacas. Depois de o cumprimentar ele aproximou-se de nós e perguntou o que procurávamos e ao explicar-lhe que queríamos comprar aquele terreno ele explicou que o mesmo não pertencia só a uma pessoa, mas sim que tinha vários donos!?! Ficámos muito confundidos e pedimos-lhe para nos explicar melhor quem eram os donos reais e ele disse que o terreno pertencia a 4,5 pessoas…

Afinal ele mostrou-nos outro terreno que tinha, mesmo abaixo deste e precisamente com a área que nós procurávamos, cerca de 3 hectares. Ficámos  contrariados e revoltados com aquela situação embaraçosa ao constatarmos que aquele homem nos queria vender um terreno com 2 hectares, sendo ele o dono apenas dos 500 metros quadrados e no mesmo tempo surpreendidos e encantados por encontrar um terreno da dimensão que tanto almejávamos e com um preço tão baixo… 25 mil usd!

 O mesmo senhor mostrou, ainda, um outro terreno que ele tinha de 3,5 hectares com plantas de café e outras  árvores de grande porte. Pediu-nos 400 mil usd por este terreno e fiquei muito admirado com a grande diferença entre os dois. Duvidámos, uma vez mais, de boa fé deste homem. A Célia, cada vez que se recorda deste episódio,  diz-me que ela nunca gostou da cara dele!

Finálmente, chegámos a saber que de facto o primeiro vendedor era um homem desonesto e ao tentar ver se conseguia estabelecer o contato com os proprietários verdadeiros, cheguei a saber que cada um queria um preço muito alto e um deles, o do meio, não queria vender.

Assim sendo, orientei-me para o terreno dos 3 hectares, situado na zona mais baixa, entre duas ribeiras, que aquele homem nos tinha oferecido, pois era a única alternativa que nos restava. Compreendemos a razão deste terreno ser tão barato, pois ficámos a saber que no ano de 2004 a ribeira grande tinha inundado metade deste terreno e, tendo isto em consideração, depois das negociações de rigor, concordámos a compra/venda deste terreno por 16 mil usd.

Segundo a lei de Timor os estrangeiros não podem adquirir propriedades, então formámos uma Fundação com jovens timorenses e, com os nossos poucos recursos e dos nossos amigos e parceiros Andrada e Luke, conseguimos comprar este tão procurado e almejado terreno!

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